quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

QUARESMA: TEMPO DE CONVERSÃO


A Igreja Católica está celebrando um tempo muito importante, o tempo quaresmal, o qual tem início na quarta-feira de cinzas e vai até a Missa da Ceia do Senhor. Quaresma significa quarenta dias de preparação para a Páscoa. A comunidade eclesial é convidada a colocar-se diante do Senhor e deixar-se interrogar sobre nosso relacionamento com Jesus e com os irmãos. É tempo privilegiado para reflexão, oração e ação. Este tempo nos lembra de algumas passagens da Bíblia relacionadas ao número quarenta, como por exemplo: os quarenta dias de jejum total de Moisés no Monte Sinai se preparando para receber a Lei da Aliança (Ex 24, 12-18.34); os quarenta dias em que Elias seguia o caminho do Monte Horeb, fugindo da perseguição (1Rs 19,8); e o retiro de Jesus no deserto, onde passou quarenta dias e quarenta noites em jejum, se preparando para ávida pública (Mt 4, 1-2ss).

A Quaresma é um tempo forte de graça e reconciliação com Deus e com os irmãos; tempo que é um itinerário oferecido como oportunidade de uma profunda e verdadeira conversão traduzida em boas obras, em forma de renúncia àquilo que é supérfluo e de luxo, em manifestação de solidariedade com os sofredores e os mais necessitados. Neste período, a Igreja dá particular atenção à preparação pascal da comunidade pela renovação da vida batismal e penitencial, isto é, ao batismo e a penitência como primeira e segunda conversão. A Quaresma é uma caminhada comunitária em que a Igreja propõe aos fiéis o exemplo de Jesus cristo. 

A Quaresma é um tempo litúrgico em que os cristãos preparam e celebram o mistério pascal através de uma conversão interior, da recordação do batismo e da participação sacramental da reconciliação. A vida nova com Cristo na Páscoa requer que os cristãos intensifiquem a vida comunitária, a escuta e a meditação da Palavra de deus; supõe novas relações com deus, com os irmãos, consigo mesmo e com a natureza. A Igreja deseja, durante este tempo, fortalecer a consciência das exigências e do sentido da morte e ressurreição de Jesus cristo como centro da fé e da esperança dos cristãos inseridos e, ao mesmo tempo, agentes da história. É preciso que elevemos nosso coração a este tempo como uma forma de atender as necessidades da Igreja e recorrer com mais frequência às armas da penitência cristã: o jejum, a oração e a esmola (Mt 6, 1-18).

É importante salientar que neste período a Igreja Católica realiza a Campanha da Fraternidade e para que todos entendam melhor este movimento, farei aqui um breve histórico sobre a mesma.

A Campanha da Fraternidade (CF) foi idealizada por três sacerdotes responsáveis, em nível nacional, pela Cáritas Brasileira. Em 1961, esses padres quiseram tornar a Cáritas autônoma financeiramente e projetaram a CF com o primeiro objetivo de arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais. A primeira CF realizou-se em Natal (RN) em 1962, no tempo da Quaresma, com adesão de três dioceses e apoio financeiro de bispos norteamericanos. Esse projeto foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, em andamento na época, e realizado pela primeira vez, também na Quaresma, em 1964. Em 20 de dezembro de 1964, os bispos aprovaram o projeto inicial da mesma, intitulado “Campanha da Fraternidade: pontos fundamentais apreciados pelo episcopado de Roma”.

De 1963 até hoje, a CF é uma atividade ampla de evangelização desenvolvida num determinado tempo (Quaresma), para ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos, no processo de transformação da sociedade, a partir de um problema específico que exige a participação de todos, na busca de alternativas de solução. É grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária, como a verdadeira penitência que deus quer de nós em preparação à Páscoa. A CF tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz da Palavra de Deus.
Sendo assim, a Campanha da Fraternidade, realizada pela Igreja Católica durante a Quaresma, tem neste ano os jovens como público-alvo, com o tema Fraternidade e Juventude e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8). A abertura da CF aqui no Maranhão foi realizada no dia 16 de fevereiro. Em 1992, a Campanha da Fraternidade também tratou a juventude como tema central, e agora, em sua 50ª edição, terá a mesma temática. A abordagem da temática “juventude” será mais um elemento para fortalecer o desejo de evangelização dos jovens, além da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada, em julho deste ano, no Rio de Janeiro. Segundo o Texto-Base da CF divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o objetivo geral do movimento é "Acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz".

A Igreja Católica definiu também três objetivos específicos para a Campanha, cujo tema é "Fraternidade e Juventude": (1) Propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo a fim de contribuir para sua vocação de discípulo missionário e para a elaboração de seu projeto pessoal de vida; (2) Possibilitar aos jovens uma participação ativa na comunidade eclesial, que lhes seja apoio e sustento em sua caminhada, para que eles possam contribuir com seus dons e talentos: (3) Sensibilizar os jovens para serem agentes transformadores da sociedade, protagonistas da civilização do amor e do bem comum. O padre Luís Carlos Dias, secretário executivo da Campanha da Fraternidade na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), explica que “a Igreja tem um apreço muito especial pela juventude“. Ele cita uma série de ações promovidas pela instituição com alvo no alcance de jovens. Por último, lembra a instalação da Pastoral da Juventude na CNBB, para destacar a importância do público-alvo.

Façamos, a partir desta iniciativa, um momento propício para que mais jovens se sintam os protagonistas no seguimento de Jesus Cristo e sejam transformadores da sociedade. Finalizo este texto com uma frase da música “Há tempos” de Legião Urbana: “Há tempos são os jovens que adoecem...”

Francisco Fernandes
Catequista na Paróquia São Cristóvão.
São Luís – Maranhão.